domingo, 27 de novembro de 2016

Resenha: O cemitério (Pet Sematary) de Stephen King


Eu sei que tem muita gente não gosta de livros e filmes de terror porque “de coisas ruins já basta à realidade”. Mas para aqueles que gostam o próprio Mestre do horror contemporâneo, Stephen King, disse uma vez: “Gosta-se dos terrores da ficção porque assim se foge dos verdadeiros”.

Eu li esse livro há muito tempo, já sabia como seria, mas é tão bem escrito gostoso de ler, que te envolve de um jeito muito diferente em cada leitura, quando eu reli pareceu que senti mais medo que da vez anterior, porque agora, mais velha, percebi coisas que quando mais nova passaram despercebidas.

“O cemitério” de título original "Pet sematary" é um clássico de King, nesta história o terror aparece em meio a uma normalidade cotidiana familiar, e exatamente por isso é uma das melhores histórias, apontando que poderia acontecer com qualquer família. 

Minha versão do livro é antiguinha. Comprei num sebo (porque costumo comprar muitos livros em sebo pois são baratinhos) ou ganhei, não me lembro. É da editora Rio Gráfica Ltda, numa coleção chamada Best Quality (capa mole mesmo) publicado em 1986. Tradução por Mário Molina e foto da capa por Eduardo Santaliestra. 

Contracapa
Louis Creed não se arrependera de trocar a poluída Chicago por uma região de bosques do Maine. Nem mesmo quando soube do cemitério de bichos existente no meio da trilha junto a sua casa. Que mal poderia haver num local frequentado e mantido por crianças? No entanto, logo ele descobriria que, além daquela clareira circular, começava O CEMITÉRIO e a inexorável destruição de tudo o que amava. 


Resenha
É obvio que o livro tem mais personagens que esses e é bem mais legal que essa resenha, que pode parecer confusa para aqueles que não leram e pode despertar vontade naqueles que nem cogitaram a leitura.

A história é contada sob a perspectiva de Louis Creed, casado com Rachel (ambos com 30 e poucos anos), pais de Eileen, de seis anos e Gage, de um ano e meio, tutores de um gato chamado Winston Churchill. As últimas páginas do livro são horripilantes e, ali, você percebe que não resta no Louis qualquer vestígio de sanidade, damos conta disso isso aos olhos de Steve Masterton, seu colega de trabalho.

Existem dois cemitérios, o dos bichos e o das histórias indígenas que Jud Crandall conta para Louis. Não se engane com esse artifício de território indígena amaldiçoado, o livro é muito maior que isso.

Jud Crandall é peça chave para todo o ocorrido, é vizinho da família Creed, “um senhor que poderia ser seu pai”, com 83 anos, e que enche Louis, apenas ele (podemos desconfiar que alguma coisa em Louis chamava atenção e, que, o pai de Rachel, pode ter percebido isso muitos anos antes, e não era uma implicância boba), de histórias fantasmagóricas e assustadoras sobre seus antigos vizinhos e a Rodovia 15, local onde moram, na cidade de Ludlow.

Louis pensa ser muito racional, tem tudo aquilo que sonhou, mas vive com as sombras do passado o atormentado, as dificuldade para concluir o curso de medicina e a pressão do sogro.  Louis parece ser afetado pelo episódio da hipótese da morte do Church, o gato de sua filha, pois esse episódio resulta na primeira ida ao cemitério, além do “siméterio” dos bichos, após sua esposa e filhos viajarem para a casa dos avós maternos.

Algumas (várias) partes do livro realmente assustam: o fato do Louis e o Jud terem sido literalmente carregados ao cemitério; pois como dois homens sem nenhum condicionamento físico consegue andar com facilidade por um terreno íngreme e desconhecido?; as “brigas” mentais que Louis tinha; a violação ao túmulo; o diálogo com o Steve, idêntico ao mesmo usado por Jud Crandall quando o convenceu a entrar no cemitério; a resistência mental de Steve; a reação de Rachel diante o desconhecido; o aviso de Pascow; os sonhos de Ellie...

O que eu achei mais interessante (além, é claro, do já esperado, que vocês terão que ler para saber) na história foi à capacidade do autor em colocar na Ellie características tão marcantes como inteligência e percepção aguçada. King tem essa coisa de colocar crianças, que são puras, como uma voz da razão através do sobrenatural. E a mistura de pequenas referências bíblicas (são poucas) com música de rock (não falarei qual) o que dá um tom de loucura maior ao Louis.

O livro não termina bem e os efeitos do cemitério são sentido por todos os personagens, quando eu digo TODOS é TODOS. No final das contas, Louis foi uma vitima fácil. E é incrível como todos esses acontecimentos na história se passam em menos de dois anos. 

Foto: Como eu disse em outro texto, a câmera não é lá essas coisas. 

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