sábado, 25 de agosto de 2018

A Chave mestra (The Skeleton Key) e o racismo

A Chave Mestra (The skeeleton key)
  Lançamento: 2005
  Gênero:Terror / Suspense
  Duração:104 minutos
  Direção:Iain Softley
  Universal Pictures


Este filme me deixou com uma mistura de sentimentos. Quem assistiu "Corra" (Get out) vai sentir que "A chave mestra" tem uma tentativa que não deu certo de abordar religiões de matriz africana e racismo, onde os protagonistas da história são pessoas brancas. 

Vamos lá, Caroline (Kate Hudson), uma jovem de 25 anos, ingênua e que sente culpada por não ter cuidado do seu pai quando precisou (este detalhe é importante), vai trabalhar como enfermeira e cuidadora de um senhor chamado Ben (Joh Hurt), casado com uma senhora misteriosa,a Violet (Gena Rowlands), que acredita em magia. Caroline conhece o advogado gatinho e de fala mansa da família, Luke (Peter Sarsgaard),  e logo gosta dele, porém não tem cenas de romance.

O senhor Ben não fala, não anda e pede ajuda para ela "através do olhar", como ela mesma afirma. Na casa, já passaram diversas moças enfermeiras que não quiseram ficar, e que mais tarde descobrimos, por meio de um diálogo, que eram negras. 


O centro do filme é a casa e os acontecimentos do  passado, que envolve dois empregados escravizados, Justify e Cecille, que foram cruelmente enforcados em uma árvore (coisa que acontecia muito nos Estados Unidos até pouco tempo; escute "Strange fruit" de Billie Holiday para entender).

A história é ambientada em Nova Orleans e a  escolha por está cidade não foi por acaso.  Para contextualizar, ela fica localizada em Louisiana e é uma das cidades mais populosas e marcada por diversos conflitos raciais e segregação registrado, inclusive, na música "Formation" da Beyoncé. O furacão Katrina é um desses episódios que escancarou o racismo de Nova Orleans que está cada vez desigual, branca e cara, enquanto bairros afro-americanos são marginalizados. Nova Orleans é famosa pelas festas e é considerada o berço do blues e Jazz, estilos musicais que originaram o rock. 

Sabendo disso, voltamos ao filme que a única personagem negra de importância é a amiga da Caroline, Jill (a linda da Joy Bryant) a quem ela recorre para desabafar. Os demais personagens negros são coadjuvantes. Este é o problema, como um filme que se arrisca para falar de racismo me põe todos os protagonistas brancos? 


Eu até entendo a intenção de criticar, só que o olhar utilizado no filme é todo branco, o filme é retratado pela chamada branquitude que emudece pessoas negras; os causadores de toda a tragédia são personagens negros e NÃO TEM FALA. Eles não tiveram oportunidade de explicar o que houve com eles. O telespectador simplesmente não tem o prazer de saber seus sentimentos, motivações... NADA. 

Se você não assistiu não leia essa parte azul, é spoiler:
Os personagens principais são a casca dos dois empregados que entendiam da tal magia Hudu. A alma deles está ali dentro. Mas, seria interessante ouvi-los nos corpos originais, usasse o recurso de flashes do passado. Porque não vejo como uma senhora branca e um jovem branco podem representar os reais sentimentos de duas pessoas negras adultas que sofreram todo tipo de violência por serem negras. Os atores, Gena e Peter, Violet e Luke respectivamente, não deram conta de passar esse sofrimento.Me entendem? Para quem quiser saber, no corpo do velho está a alma do advogado Luke. Por isso, ele pede socorro.

Eu não gosto como a câmera filma os atores negros figurantes. É sempre com música de tensão, movimentos lentos e olhares esquisitos, como se eles fossem fazer algo de errado ou criminoso contra a mocinha do filme. E, também, me incomodou que criaram a personagem Caroline baseado no delírio coletivo de que mulheres brancas são donzelas indefesas em perigo que precisam ser constantemente salvas.

O filme é todo produzido, escrito e dirigido por pessoas brancas, isso não deveria explicar a desdém ou a "falta de percepção" da necessidade, da tão discutida, representativa que não é colocar dois ou três personagens negros mudos e com falas medianas. É estranho ter que escrever isso, mas neste casos, deveriam ter que chamar pessoas negras para produzir o filme.  A história é bem legal e fácil de entender. Porém, mal produzida. 

Existe uma cena no final em frente ao espelho (como mencionei lá em acima), que a senhora Violet, diz para o advogado Luke, que gostaria que fosse negra a moça a ser possuída, mas o advogado diz "que elas nunca ficam", tipo são muito espertas para ficarem na casa e pagar para ver. 

No geral, não entendi a mensagem do filme: Crítica racial ou apropriação e lucro dessas pautasNunca saberei. 

Apesar de todos os defeitos, dou nota 6 de 1 a 10. O foco do filme, com certeza, devia ter sido na história dos empregados escravizados e nas duas crianças, filhos dos donos da casa. 

Deixe sua opinião e diga o que você achou do filme e desta critica. Vou gostar de ler. 



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