quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Os jovens e a política educacional: Ocupa Almirante

Sendo este um blog de educação e afins, que aborda temas ligados a oportunidades educacionais, não posso ignorar as milhares de ocupações que ocorre pelo pais que originou o que estão chamando de “Primavera Secundarista”.

Quando cheguei na ocupação, de vestido coral, havaianas pretas e uma câmera (não uma profissional, mas uma cybershot roxa), não fazia ideia do que iria encontrar. Apesar de acompanhar a página do facebook, queria entender o que motivou esses estudantes e ver a  esperança e a autonomia nos olhos de cada um. Fui cheia de expectativas. E me surpreendi muito, foi melhor do que esperava!

E lá fui eu para o colégio. Pude entrar e lá dentro fiquei por cerca três horas (ou mais), pude ter o prazer de conversar com três secundaristas, que junto com mais outras centenas de estudantes organizaram e planejaram como sucederia a luta pelos direitos dos estudantes e da população. Até eles estavam surpresos com o apoio da comunidade, uma das meninas se emocionou.

Foto da fachada da escola ocupada no ES - Hyasmin
Ocorreu um mal entendido e por algum motivo, quando fui conversar e fazer umas perguntas sobre a ocupação com um voluntário, fui convidada a me retirar(Sério!), só que, por um dos secundaristas, o mesmo que me viu entrar e abriu o portão para mim e foi super simpático. Por algum motivo que eu desconheço, ele "mudou de ideia" em relação a minha entrada. Isso não é uma crítica, só estou contando um fato, entendo o porquê da preocupação, mas na hora achei a atitude truculenta. E óbvio, não tenho fotos lá de dentro, como eu disse, super compreensível, para não expor ninguém.

Almirante Barroso é uma escola pública estadual de ensino fundamental e médio localizada em Vitória, Espírito Santo no bairro de Goiabeiras. Com uma pequena participação no Enem e uma nota abaixo de 500,0 pontos. E é essa escola que desde sexta-feira do dia 21 de outubro, começou uma ocupação, a primeira escola espiritossantense a tomar a iniciativa, que deu gás a uma série de outras ocupações pelos municípios do Espírito Santo (ES).


Estão na escola alunos; para ministrar palestras e dar aulas, professores, ativistas dos direitos humanos, professores universitários; para preservar o bem estar dos jovens, conselho tutelar; pais e a diretora se fazem presente também. Além de apoiarem a causa, a comunidade ainda contribui com alimento, remédios e artigos de higiene pessoal para os estudantes. E eles (estudantes) tem a liberdade de permanecer a hora que quiserem e retornarem para suas casas.

Por que a ocupação?
Se você não está por dentro, digo que você precisa se atualizar. Por isso deixo estes links abaixo para você se reiterarem do assunto:

Entenda a PEC 241 (55)
Entenda a reforma do ensino médio

Em resumo: A luta estudantil é contra a PEC 241, que tramita no Senado como PEC 55 (que vocês agora sabem o que é depois de ler o link) propõe o congelamento das contas públicas por 20 anos, o que significa, que a população brasileira pode perder muito em setores como saúde, educação e até o salário mínimo pode não sofrer aumentos anuais.

E, ainda, tem a reforma do ensino médio apresentada pelo governo federal que estabelece a: ampliação da carga horária mínima anual do ensino médio, progressivamente, para 1.400 horas; determina que o ensino de língua portuguesa e matemática seja obrigatório nos três anos do ensino médio; restringe a obrigatoriedade do ensino da arte e da educação física à educação infantil e ao ensino fundamental, tornando as facultativas no ensino médio e permite a contratação sem professores sem licenciatura mas que possuem notório saber, que significa que NÃO tem formação acadêmica específica na área que leciona, qualquer um poderá dar aula; entre outras alterações.

O que eu posso dizer sobre essa ocupação
Uma estudante, aluna do 2° ano do Ensino Médio do colégio ocupado, que conversei, disse: “Um estudante de escola particular faz cursinho, entra na universidade mais rápido. É filho de político, advogado, arquiteto. Nós não, a maioria de nós não, somos filhos de pedreiro, empregada domestica... Essa PEC não prejudica eles, por isso não se importam, por isso a ocupação acontece só em escolas públicas”.

A ocupação no Almirante revela um pensamento político que nasce dentro das escolas. Dar voz aos estudantes e liberdade para se expressarem é de suma importância, revela uma tentativa de permitir que eles “contem a si mesmos”, façam acontecer pelos suas próprias mãos, o que fica visível pela grande organização na portaria de entrada. É preciso assinar o nome para entrar.

O mais importante e não haver interferência de terceiros, que universitários não interfiram nas decisões dos estudantes. Para desenvolver o pensamento critico, neste caso, o estudante, precisa ser o sujeito dessa transformação, não o objeto, precisa ser parte do mundo, e não somente estar nele.

Além do mais, o governo precisa tomar medidas em diálogo com a população. Segundo Paulo Freire, é preciso confiar no povo, rejeitar fórmulas e acreditar na troca de saberes. O diálogo é parte fundamental, e para haver dialogo é preciso ter humildade, amor e fé; ouvir o outro e não se achar superior, o dono de todo o saber, porque sem a humildade não há dialogo.  

Lugar de criança e na escola

A maioria destes estudantes são de origem humilde, residem em bairros mais pobres e subúrbios, a realidade deles é difícil. O dinheiro nem sempre é suficiente para suprir todas as necessidades básicas, a família muitas vezes é composta por até oito pessoas, onde os pais trabalham e ganham salário mínimo. A tomada de consciência de um estudante de escola publica acontece mais cedo do que se imagina. É preciso compreender que para chegar lá (seja lá onde for esse lá) é preciso ser esforça duas vezes mais.

A inserção prematura de crianças no trabalho ainda é que jovens ocupando escola. a educação ainda hoje é um privilegio educação de qualidade então nem se fala. Melhor na escola que na rua.

E vocês, o que acham das ocupações e dessas medidas do atual governo?


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