quinta-feira, 19 de março de 2015

Intercâmbio, aí vou eu! : Ciências sem fronteiras (CsF)

Começamos a série "Intercâmbio, ai vou eu!" com o mais famoso e polêmico: Ciências sem Fronteiras (CsF). Promove a internacionalização dos estudantes através de um programa de intercâmbio de graduação sanduíche de 1 ano, caso o estudante não tire a nota máxima no teste de proficiência (post em breve) ganha um curso de inglês, de ate 4 meses (as regras mudaram, até 2013 era um curso de até 6 meses). Oferece, também, oportunidade de pós-graduação.
Os selecionados têm ajuda financeira para pagar o curso, as despesas da viagem, alimentação, hospedagem e cartão de transporte, além de uma bolsa mensal e auxílio material de consumo e didático. O programa CsF tem  parceria com um grande número de instituições (as melhores por sinal) espalhadas pelo mundo todo. E o estudante ainda tem a chance de escolher a universidade que quer estudar.
Foto: Divulgação
História:
Surgiu em 2012, criado pelo Ministério da Educação (MEC) e no início, o intercâmbio era para  todos os cursos, por causa de uma das áreas contempladas chamada “Indústria Criativa” que não era bem especificada e dava essa abertura para os cursos de humanas. Entretanto, em 2013 o Governo Federal limitou essa área identificando-a como ”produtos e processos para desenvolvimento tecnológico e inovação”. 

Em dezembro de 2012 (se não me engano) a justiça do Ceará - o nordeste é a região com mais participantes no CsF - conseguiu uma liminar para estudantes de ciencias humanas terem a oportunidade de disputar uma bolsa.

Mas, em janeiro de 2013 o Tribunal Regional Federal derrubou essa liminar, Aloizio Mercadante ─ que na época era o Ministro da Educação, hoje ele é da Casa Civil ─ declarou que: “(...) o país tem uma grande e capacitada mão de obra nas áreas de humanas, mas precisa suprir as carências em tecnologia e saúde”. (matéria G1 clique aqui para ler

Uma pena mesmo! Apesar disso, não tira seu valor, pois diverso estudantes tem experiências maravilhosas: acadêmicas, culturais e pessoais. Desde o inicio, o programa era uma promessa, hoje é um grande sucesso. Em junho de 2014 a presidenta Dilma fez um pronunciamento e divulgou a 2° etapa do Ciências sem fronteiras com  mais 100 mil bolsas (matéria portal governo clique aqui para ler). Mais oportunidades.

Processo de seleção:
É necessário se encaixar em critérios básicos;
  • Ser de alguma área contemplada;
  • Fazer teste de proficiência e tirar a nota mínima exigida;
  • Ter feito mais de 600 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem);
  • Ter um coeficiente razoável;
  • E se tiver participado de projetos ou ter ganhador prêmios é melhor ainda.
O processo dura cerca de 6 meses. As regras mudaram um pouco em relação ao nível de inglês. Óbvio, o programa cresceu e tem muita concorrência agora. De acordo com o edital do ano passado (2014) dos Estados Unidos, que é o país com mais candidatos disputando vagas, agora é necessário tirar no teste de proficiência TOELF IBT (Test of English as Foreign Language - Internet Based Test) o mínimo de  69   e no TOELF ITP (Test of English as Foreign Language - Institutional Testing Program) mínimo 525.

Outro fato que apareceu no edital dos Estados Unidos foi que algumas áreas da saúde não estavam sendo contempladas pela incompatibilidade de disciplinas. Medicina nos Estados Unidos, por exemplo, é completamente diferente do Brasil, lá são 8 anos de curso; 4 de pré-medicina e mais 4 anos de medicina “de verdade”, no Brasil são apenas 5 anos de graduação. Não estou falando que “─ Nos Estados Unidos tudo é melhor!” (Leia com voz bem enjoada), não é isso, só ressalto que existe uma grande diferença.

Observações importantes: Portugal foi cortada do Programa CsF, devido ao grande número de inscrições dos candidatos, pois não era necessário prova de comprovação de línguas. O que trouxe a tona um problema antigo na educação brasileira, mas que ninguém comentava: o aprendizado da segunda língua, a carência de  bons professores de inglês nas escolas. 

Portanto, para impulsionar os estudantes a aprenderem uma segunda língua e se tornarem fluentes o governo decidiu  pela exclusão de Portugal da lista. Decisão  que apesar das dificuldades do início na relocação dos estudantes, foi a mais correta. E talvez, assim, daqui para frente, possa surgir um investimento maior nesse segmento da licenciatura e capacitação dos professores e a inclusão do inglês como matéria obrigatória nos cursos de graduação.

Na inscrição no site do programa, não aparece à opção do curso de humanas, sendo bem sincera não vale a pena os estudantes dessa área tentarem. Quem sabe um dia a presidenta faça um pronunciamento e coloque os cursos de humanas nas áreas contempladas. Mas não fiquem tristes, existem outros programas legais e gratuitos com bolsa que irei apresentar para vocês.


Para saber mais sobre o programa: http://www.cienciasemfronteiras.gov.br/web/csf









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