sexta-feira, 7 de setembro de 2018

"Amanda Knox" tendencioso, fraco e escorregadio


Em minha opinião, comparado aos outros (leia aqui, aqui e aqui), esse documentário é péssimo. E digo isso por causa do recorte que o diretor fez. O documentário me pareceu parcial demais. Condenaram a mídia, alegando forte influência na investigação, porém foram superficiais e não mostraram como isso ocorreu e de que forma afetou o auto dos processos; só especularam. 

Com essa abordagem culpando as notícias por isso e aquilo, o documentário tira o foco da conduta da acusada, Amanda Knox, durante as investigações, que até hoje gera discussões sobre sua inocência. 

O diretor e roteirista perderam a oportunidade de focar em personagens melhores. Como no italiano Giuliano Mignini, que cuidou do caso: a arrogância, o prestígio, a fama internacional, como ele lidou com a interferência dos Estados Unidos, apoio popular e a certeza que a Amanda e o Rafaelle Sollecito tinham  envolvimento no assassinato da Meredith Kercher, faziam dele o melhor personagem.  

Não sei se foi correto dar voz a uma acusada de assassinato. A Knox abre o documentário falando em sua defesa em tom melodramático, se infantilizando, num espaço prestigiado como o mainstream mundial (está disponível na Netflix).

Muito conveniente para ela que fatura milhões com as vendas do livro que escreveu contando sua versão da tragédia da família da Meredith Kercher, a jovem que morreu assassinada. 

No documentário os produtores frisam uma frase que basicamente diz assim: "os olhos da Amanda Knox dizem a verdade", porém é a mesma coisa que dizer que criminosos ou pessoas ruins vem com placa escrito "Oi, sou um criminoso /pessoa ruim". Por isso, é necessário investigação

Essas afirmações acerca da beleza padrão dela, dos olhos azuis e a pele clara, constroem todo o documentário do início ao fim (até a capa do documentário leva essa ideia, reparem!). Não podemos basear justiça na aparência. E o papel do cinema é questionar. Isso mostra como o roteiro é medíocre

Considero também que houve racismo com a abordagem que fizeram do  Rudy Guede, o único condenado. Nenhuma pesquisa aprofundada sobre ele. Nada. Só ressaltaram que ele tinha passagem pela polícia. 

E o assassinato da Meredith Kecher vira um mero detalhe. Um trabalho de pesquisa mal feito, baseado em sensacionalismo, racismo e xenofobia. Era melhor não ter produzido nada. Pareceu mais uma propaganda de defesa,que um documentário. 

Talvez tenham baseado o documentário no livro escrito por ela. Não posso afirmar nada porque não li. Mas, caso você tenha lido, deixa nos comentários o que você acha. E me conta o que achou da produção.

Diretor: Brian McGinn, Rod Blackhurst
Lançamento: 2016

Nota: 3/10

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