terça-feira, 30 de agosto de 2016

Um golpe na educação - O fim do programa Ciências sem fronteiras para graduação


Quando estreei o blog tinha como objetivo escrever sobre as tantas oportunidades que surgiam para os estudantes. Mesmo não se encaixando nas regras básicas da Capes, como ser da área de exatas, sempre defendi as oportunidades educacionais.

Venho agora anunciar uma das grandes perdas das conquistas acadêmicas: o fim do programa Ciências sem fronteiras para a graduação. Há um tempo fiz um post de como conseguir ingressar e pleitear uma vaga aqui. Hoje, infelizmente, relato o fim dele, e ressalto os pontos que não me agradavam, mas não suficientes para me fazer odiá-lo.

Nem tudo são flores

Algumas coisas no programa me incomodavam. O primeiro, era que os cursos de humanas eram vistos como algo pouco vantajoso para a população, por isso, logo no início do programa foram retirados, era quase como se dissessem que a arte e as letras não valem nada. O pensar era anulado.

Segundo, era o fato de se descrever como “para alunos de excelência” sendo que um dos principais quesitos era ser de exatas ou biomédicas, então era para os alunos de excelência DESTES CURSOS. E isso deveria estar claro.

Terceiro, o nível de inglês que era exigido (apesar da nota ser bem baixa) para alguns graduandos seria muito difícil alcançar, e explico a razão; para alguns alunos de escola pública que tiveram oportunidade de fazer inglês com bolsa ou muito tempo livre para estudar era (e é) super possível alcançar a nota máxima, por sua vez sabemos que só o ensino básico público não fornece aulas de inglês dignas, não são suficientes, para aqueles que só tiveram possibilidade de estudar neste ensino, o resultado poderia não ser satisfatório. Alunos de escolas particulares neste item sairiam à frente, obviamente.

Ou seja, excelência sob que ponto de vista? “Na graduação todo mundo é igual”, o que os mais distantes da realidade afirmarão, mas eu digo que não, alguns estudantes têm que decidir se vão tirar xerox ou lanchar, além disso o ensino que vem antes da graduação é FUNDAMENTAL.

Por isso, o programa estava se preparando para tomar novos rumos para englobar pessoas de baixa renda, estudantes verdadeiramente de excelência (que não significava só saber inglês, focados no bem maior da população e com “bandeiras” sociais) que não tiveram tantas oportunidades.Tornar o programa mais igualitário. E esse seria o grande momento do Ciências sem fronteiras.

O que eu quero dizer e que você não pode dizer que um aluno de excelência de escola pública e igual à um aluno de excelência de escola particular (há exceções, é claro, como sempre há), visto que o segundo mesmo não querendo estudar, nunca faltará professor em sala de aula e todos os docentes explicam a matéria, e não só passam coisas no quadro para os alunos copiarem . Acredito que o “esforço pessoal” não deveria ser visto como algo apreciativo e sim como algo triste,  porque ser duplamente melhor o tempo todo, e ter que desdobrar em dois para conseguir conquistas alguma coisa, é muito cansativo. Não deveria ser assim. Para uns o caminho é largo, e para outros o caminho é tão estreito. Isto não é, e JAMAIS SERÁ, igualdade.

Quarto, e último, era o fato de que muitas pessoas que participavam do programa, viajam mais do que estudavam, andavam com outros brasileiros e voltavam com um inglês igual ao que foram; iam sem falar espanhol e  voltava sem falar espanhol. A oportunidade incrível era desperdiçada. Não escrevo isso das pontas dos dedos para fora, escrevo porque conheço várias pessoas que foram pelo Ciências sem fronteiras para exterior e fizeram  isso; NADA.

Mas as flores que tem são lindas

No entanto, ainda assim, defendo o programa com todas as minhas forças, porque seja estudando muito, ganhando prêmio, ganhando menção honrosa, retornando  falando uma outra língua fluente, viajando a beça, conhecendo novas culturas e monumentos históricos, essas pessoas aproveitaram e de alguma forma elas cresceram culturalmente, academicamente, profissionalmente e de certa maneira, puderam  ver o que pode melhorar no nosso pais e o que é maravilhoso e pode ficar como está, e voltam com uma nova perspectiva. E isso pode ser promissor para todos os brasileiros e brasileiras. Não podemos prejudicar centenas de estudantes com base em alguns fracassos, em vez de focar nos que deram errado, porque não exaltar os que deram certo?

E não usar alguns tropeços como justificativa para cortar gastos na educação.

Cuspindo no prato que comeu

Fico triste quando vejo muitos estudantes ou ex estudantes, hoje já profissionais, que usufruíram desta bolsa do governo,  e agora apoiam o fim do Ciências sem fronteiras. É fácil apoiar a extinção do programa depois que se lambuzaram e aproveitaram. Típico de pessoas que só querem privilégios e não igualdade de oportunidade.

Deixo meu pesar pela perda dessa conquista estudantil que um dia poderia ser amadurecida e conseguir alcançar mais pessoas, principalmente àqueles estudantes que não podem fazer intercâmbio por falta de condições financeiras.

E me pergunto quanto tempo mais vai demorar para que seja extinto o programa por completo (mestrado e doutorado). 

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