terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Resenha do livro "O mito da beleza" (The beauty myth) de Naomi Wolf


Foto: Abeto de Ideias por Hyasmin Silva

Oi pessoal, esta resenha faz parte de outras várias que usei para me ajudar a elaborar minha monografia. Espero ajudar vocês. Qualquer dúvida, deixa nos comentários ou escreve lá nas nossas redes sociais. Tem mais outras indicações de livros caso sua pesquisa ou interesse seja em padrão de beleza  e estética brasileira vs feminino. Perdoem-me pela falta de revisão, se for esperar eu revisar para postar nunca seria postado. Mas, talvez, eu volte e revise um dia rsrs
Beijão!!!!

WOLF, Naomi. O mito da beleza: Como as imagens de beleza são usadas contra as mulheres.  Tradução: Waldea Barcellos. Rio de Janeiro: Rocco, 1992. 439 p.  (Essa é a primeira edição)

1° capítulo: O mito da beleza (p. 11 a 25)
      No início do livro, a autora expõe alguns pontos que justificam seu tema, com dados históricos e temporais sobre a mulher e seu papel social. As conquistas femininas na reprodução, educação superior, mercado de trabalho, cargos de chefia. Mas ainda não foi encontrada a libertação feminina, pois quanto maior as conquistas “mais rígidas, pesadas e cruéis foram às imagens da beleza feminina a nós impostas” (13p).  Com criticas duras ela exemplifica que antes domesticada atualmente foram impostos novos mecanismos para dificultar a ascensão feminina. 

      E essa nova arma é a beleza. E o que Naomi Wolf chama de mito da beleza: a imagem da beleza feminina sendo usada como arma política para frear a evolução da mulher. Apesar de serem mulheres bem sucedidas estão emersa em conceitos de beleza  ”obsessões com o físico, pânico de envelhecer e pavor de perder o controle” (12p) Segundo a autora, o termo beleza é um conceito mutável é não é universal, tem cunho político que serve para manter intacto o poder masculino.  

 Ao atribuir valor às mulheres numa hierarquia vertical, de acordo com um padrão físico imposto culturalmente, ele expressa relações de poder segundo as quais as mulheres precisam competir de forma antinatural por recursos dos quais os homens se apropriaram. (15p)

     Segundo Wolf, na medida em que as mulheres se libertam da mística da domesticidade - a mulher cuidadora do lar, devota ao marido e aos filhos – desdobra-se para a mística da beleza como controle social. Um padrão substitui o outro, Wolf cita as feministas que derrubaram as campanhas publicitárias que usavam modelo de mulheres donas de casas felizes por jovens esqueléticas.  

A reação contemporânea é tão violenta, porque a ideologia da beleza é a última das antigas ideologias femininas que ainda tem o poder de controlar aquelas mulheres que a segunda onda do feminismo teria tornado relativamente incontroláveis. Ela se fortaleceu para assumir a função de coerção social que os mitos da maternidade, domesticidade, castidade e passividade não conseguem mais realizar.(13p)

        A beleza também já foi vista como reprodutividade e fertilidade “Os homens fortes lutam pelas mulheres belas, e as mulheres belas têm maior sucesso na reprodução. A beleza da mulher tem relação com sua fertilidade (...)” (15p) e segundo ela, não existe nenhuma ligação biológica sobre a beleza, é apenas uma imposição sociocultural das instituições masculinas. 

          As qualidades que um determinado período considera belas nas mulheres são apenas símbolos do comportamento feminino que aquele período julga ser desejável. O mito da beleza na realidade sempre determina o comportamento, não a aparência (17p). Com o advento das tecnologias e a revolução industrial o mito da beleza se intensificou. 

Na década de 1840, foram tiradas as primeiras fotografias de prostitutas nuas. Anúncios com imagens de "belas" mulheres apareceram pela primeira vez em meados do século. (...) invadiram a esfera isolada à qual estavam confinadas as mulheres da classe média. Desde a Revolução Industrial, as mulheres ocidentais da classe média vêm sendo controladas tanto por ideais e estereótipos quanto por restrições de ordem material (18p).

      Um medo da liberação feminina causa uma disseminação vulgar de padrões vigentes  e um acumulo  de imagens, o que Naomi chama de “alucinação coletiva reacionária” retratar a mulher moderna como “bela”, é limitá-la e reduzi-la a um ser genérico, atemporal e inerte o que não condiz com a imagem de mudança e individualidade que representa e que sustenta um mercado direcionado para a beleza.

           Wolf compara essa alucinação, com a donzela de ferro, ferramenta da Alemanha medieval usada para tortura, consistia num caixão em formato de uma jovem bela com um sorriso no rosto, feita de ferro que dentro tinha inúmeros ferrões que ao fechar perfurava o torturado. Nessa analogia ela exemplifica que a mulher se em contra presa:

 A alucinação moderna que prende as mulheres, ou na qual elas mesmas se prendem, é da mesma forma cruel, rígida e adornada de eufemismos. A cultura contemporânea dirige a atenção para as metáforas da Donzela de Ferro enquanto censura o rosto e o corpo das mulheres de verdade (22p).

           A beleza é usada para evitar a liberação feminina, e esse ímpeto de perfeição gerada por tantas afirmações sociais é passada de mulher para mulher.  A feminista expõe que o mito da beleza é muito mais traiçoeiro do que as normas de domesticação da mulher usadas séculos atrás  “Os estragos contemporâneos provocados pela reação do sistema estão destruindo o nosso físico e nos exaurindo psicologicamente” (25p).

2° capítulo: O trabalho (p. 25 a 76)
           A beleza tornou-se para a mulher pré-requisito para conseguir emprego ou progredir na vida profissional, “uma boa aparência pode abrir portas” (Neste ponto, sinto que preciso salientar que o questionamento sobre raça não aparece, mas acho que deveria pois mulheres negras sofrem não só com o machismo mais também com o racismos), discurso proferido de uma mulher para outra como conselho essencial para a vida profissional. 

         A beleza vira o carro chefe desconsiderando o potencial intelectual, as habilidades e as verdadeiras qualidades de obtenção de sucesso. Afinal, num cargo vago de diretoria, acredito que o quesito ser “belo” ou “feio” não venham descrito, ou assinalado como uma observação importante e uma qualidade do futuro funcionário? 

             Pois para tomar grandes decisões num Congresso de Direitos humanos, construir um prédio, assinar papéis de grande de parcerias empresariais, vender artigos, você precisará ser convincente, confiante, inteligente, esperto etc. A beleza é um adjetivo ínfimo se considerar sua falta de consistência, porque ela ocupa um lugar vazio e opressor para o sexo feminino. 

A discriminação pela beleza se tornou necessária não pela impressão de que as mulheres ficariam sempre aquém do esperado, mas, sim, pela impressão de que elas seriam, como vêm sendo, ainda melhores”(27).

          Alguns trabalhos são prioritariamente destinados ao sexo feminino. Ainda há de se imaginar que tudo ligado à mulher é mais delicado, o que a impossibilita de adentrarem num mercado mais competitivo majoritariamente masculino, o masculino é associado a “energético”, portanto agressivo, sendo assim, é um campo incompatível com uma mulher, e quando as mulheres conseguem burlar tais regras e se inserem nesse mercado, são discriminadas e tem mais dificuldade de ascensão.
As qualidades que mais convém aos empregadores nas trabalhadoras dessa categoria são o amor-próprio reduzido, a tolerância para com tarefas repetitivas e monótonas, a falta de ambição, o alto nível de conformidade, o maior respeito pelos homens (que são seus superiores) do que pelas mulheres (que trabalham a seu lado) e pouca sensação de controle sobre suas próprias vidas. Num estágio superior, as gerentes de nível médio são aceitáveis, desde que se identifiquem com o mundo masculino e não façam muitos esforços para subir. Algumas poucas mulheres simbólicas no topo da corporação, nas quais a tradição feminina esteja totalmente extinta, são úteis. O mito da beleza é a última e melhor técnica de treinamento para forjar uma força de trabalho dessa natureza” (p 33).

    Nessa jornada de reconhecimento profissional, a discriminação perpassa também pela condição feminina: gerar filhos. Os cuidados com os filhos, mais o ambiente de trabalho e a casa. “As mulheres assumiram ao mesmo tempo os papéis de dona-de-casa, de profissional que faz carreira e de profissional da beleza”. (p 34)

      Segundo Naomi Wolf chegamos a qualificação pela beleza profissional (QBP): 

Antes que as mulheres entrassem para a força de trabalho em grandes contingentes, havia uma classe bem definida daquelas remuneradas explicitamente pela sua "beleza": trabalhadoras nas profissões de grande visibilidade como as modelos de moda, as atrizes, as bailarinas e as que se dedicavam ao sexo por remuneração mais alta, como as escorts. Até a emancipação das mulheres, as profissionais da beleza eram geralmente anônimas, de baixo status e não merecedoras de respeito. Quanto mais fortes ficaram as mulheres, maior o prestígio, a fama e o dinheiro dispensados a essas profissões. Elas são mantidas cada vez mais acima da cabeça das mulheres que desejam subir na vida, para que estas as imitem. O que está acontecendo hoje em dia é que todas as profissões em que as mulheres estão abrindo caminho vão sendo rapidamente reclassificadas — no que diz respeito às mulheres que as exercem — como profissões de grande visibilidade”. (p 34)
         Wolf  (1992) faz uma analogia comparando o sistema da meritocracia, já imposta na sociedade de que se você se esforça ao máximo você irá alcançar o almejado, ao mito da beleza. O mito da beleza faz a mesma coisa, no entanto exclusivamente com as mulheres, à beleza pode ser alcançada basta se esforçar, porém esse é um sistema onde a mulher se adequá as normas e a cultura do trabalho, mas as frustrações e fracassos recaem somente sobre ela. 

        As mulheres são tomadas por crenças do mito da beleza como aqueles do sonho americano baseado na meritocracia “se você se reforça você consegue” a beleza  pode (e deve) ser alcançada por todas as mulheres, o ambiente de trabalho exige boa aparência feminina.

A transferência é completa — e coincidentemente maléfica — quando, com esse sonho, as mentes das mulheres se convencem da necessidade de podar seus desejos e seu amor-próprio exatamente de acordo com as exigências do local de trabalho, ao mesmo tempo em que a culpa dos fracassos do sistema recai somente sobre elas mesmas. (p 39)

             No campo do trabalho existe algo ainda que persiste, as mulheres são totalmente observadas em suas ações, profissionalmente e  a respeito de sua beleza. Ela precisa se preocupar com o seu trabalho e com a roupa que está vestindo, a maquiagem e o salto. Dependendo do cargo, a maquiagem e necessário, como recepcionista, um belo sorriso no rosto sempre, nos demais cargos é necessário não comente porque compõe seu status  e para não ficar atrás. O reconhecimento muitas vezes esta ligado em quem chama mais atenção, para uma mulher a aparência e o que conta, é o principal. 

               Por conseqüência gera inimizades uma com a outra, para entrar nesse mercado que só observa-a. 

         Segundo Wolf (1992) existe um fator que supostamente impulsiona ainda mais a beleza como processo produtivo e acarreta no que ela chama de qualificação por beleza o qual perpetua estereótipos. A qualificação por beleza nasceu quando as mulheres começaram a entrar no mercado de trabalho a partir da década de 80. A mística feminina é definitivamente substituída pelo mito da beleza “O mercado de trabalho refinou o mito da beleza como uma forma de legitimar a discriminação das mulheres no emprego” (WOLF, 1992, p.26). 

                 Naomi (1992) diz que algumas profissões como as de modelo, bailarina, dançarina e prostituta, antes mesmo da entrada da mulher no mercado de trabalho, devido à grande visibilidade, já eram remuneradas  pela “beleza”. No entanto, à medida que a mulher abriu espaço para uma nova profissão, essas profissões foram reclassificadas como de grande visibilidade. Está se institucionalizando, em profissões distantes daquelas onde é uma necessidade ser “bela”, a qualificação profissional por beleza, “como condição para contratação e promoção de mulheres” (WOLF. 1992, p.35).   

              Wolf (1992) descreve três mentiras que fomentaram a ideologia da “beleza”: A primeira, diz respeito à legitimidade da qualificação por beleza determinante para a ascensão feminina. A segunda, tenta disfarçar essa discriminação imposta.  A autora faz uma analogia com o “American dream” que prejudicou os homens, ao mito da beleza, quando as mulheres são tomadas por crenças, e a beleza pode (e deve) ser alcançada por todas, basta ter dedicação e se esforça ao máximo, a beleza vira sinônimo de mérito. 

            E a terceira mentira, é que a mulher nunca será boa o bastante. No entanto, é preciso ser oferecido oportunidades iguais para haver mérito. O que faz com que a culpa de seus fracassos recai somente sobre a mulher.

        E dessa forma, Wolf (1992) ressalta que a culpa facilitou que não houvesse uma reação da classe das mulheres trabalhadoras a qualificação de beleza profissional: a culpa por se dedicar ao trabalho ou “Para a grande maioria, que recebe baixos salários ou que ajuda a sustentar os filhos, pode ser a culpa por não conseguir dar mais; o desejo de fazer todo e qualquer esforço pela família” (WOLF, 1992, p.38).

        Devido à materialização da beleza feminina dentro do ambiente de trabalho, para a mulher, a competitividade é dupla e irreal: 

(...) a beleza já desempenhava na busca de status das mulheres o mesmo papel que o dinheiro representa para os homens: uma comprovação defensiva diante de concorrentes agressivos no que diz respeito à masculinidade ou à feminilidade. Como os dois sistemas de valores são redutivos, nenhuma das duas remunerações jamais chega a ser suficiente, e cada uma delas logo perde toda e qualquer relação com os valores da vida real (WOLF, 1992, p. 40).

    De acordo com Wolf (1992) a qualificação por beleza nasceu muito antes, na década de 1960, quando mulheres jovens e solteiras começaram a ocupar espaço dento do mercado de trabalho, surgem também infinitos estereótipos. A beleza feminina seria dar leveza a seriedade masculina. Wolf, expõe alguns exemplos, as aeromoças que lutaram pelos seus direitos, pois até aquele momento, era imprescindível que para ser aeromoça  a mulher precisava ter menos de 32 anos e ser solteira, caso ela se casasse ou alcançasse a idade permitida, era demitida. E tal exigências nunca forma imposta aos homens.

A jovem solteira que trabalhava tinha de ser considerada "sexy" para que seu trabalho e seu estado civil não aparentassem ser o que realmente eram: sérios, perigosos e sísmicos. Se a jovem que trabalhava fosse sexy, sua atração teria de tornar seu trabalho ridículo porque logo, logo, as jovens iriam se tornar mulher (WOLF, 1992, p. 41).

Wolf (1992) destaca uma série de acontecimentos levados aos tribunais de mulheres contra empregadores, onde cada um dos contratantes era acusado de alguma forma de culpabilizar a mulher por não ser bela o suficiente (cita o caso da Margareth Cross), por ter “provocado”, por usar roupas curtas etc., e todas perderam as causas, pelo fato da beleza não ser algo abstrato e julgado pela perspectiva muitas vezes de homens (juízes) ou por ser uma regra estabelecida pelo olhar do dono da empresa. A indumentária feminina, é mais restritiva e dentro de cada empresa é comum ter um código para o guarda roupa feminino do que pode ou não vestir e é difícil definir o que é correto ou não para determinado ambiente. 

      E nessas vitórias consecutivas do capitalismo e da dominação simbólica masculina (p49), as mulheres entram no mercado de trabalho, mas não altera o trabalho não remunerado exercido em casa. Os companheiros não ajudam nas tarefas domésticas. Mulheres de classe média optam por contratar para as tarefas domesticas do seu lar, uma mulher pobre. “As mulheres assumiram ao mesmo tempo os papéis de dona-de-casa, de profissional que faz carreira e de profissional da beleza.” (WOLF, 1992, p. 34). E essa jornada tripla é super valorizada dentro da sociedade, uma “Grande Mulher”, como algo fantástico e eficaz, porque funciona, e as mulheres se cobram por não conseguirem cumprir suas “obrigações”. 

A transferência é completa — e coincidentemente maléfica — quando, com esse sonho, as mentes das mulheres se convencem da necessidade de podar seus desejos e seu amor-próprio exatamente de acordo com as exigências do local de trabalho, ao mesmo tempo em que a culpa dos fracassos do sistema recai somente sobre elas mesmas (WOLF, 1992, p. 37).

         Quando uma dessas suas “obrigações” — mulher, mãe, esposa, funcionária, estudante, boa filha...  —  não é bem sucedida a culpa é somente dela que não deu conta da sua condição. Condição de mulher que não escolheu ser apenas dona-de-casa e mãe, a Amélia. Escolheu ser funcionária bem sucedida, mãe e esposa, e essa é a sua punição: o mito da beleza e a culpa por jamais conseguir ser suficiente. Porque numa tripla jornada, trabalhando 24 horas por dia sozinha, alcançar  a “perfeição” é a uma meta inalcançável. 

3° capítulo: A cultura (p. 76 a 112)
       Sem modelos para imitar ou inspirar na vida real as mulheres são obrigadas a se espelhar nas modelos da caspas de revistas , passarelas e anúncios publicitários.

Monuments and Maidens, obra de Marina Warner, esclarece como acontece de nomes e rostos de indivíduos do sexo masculino serem homenageados em monumentos, sustentados por mulheres de pedra, idênticas, anônimas (e "lindas"). Essa situação vale para a cultura em geral. Por terem poucos modelos a imitar no mundo real, as mulheres as procuram nas telas e nas revistas femininas. Esse padrão, que descarta as mulheres enquanto indivíduos, se estende desde a cultura de elite até a mitologia popular. "Os homens olham as mulheres. As mulheres se observam sendo olhadas. Isso determina não só as relações entre os homens e as mulheres, mas também a relação das mulheres consigo mesmas." A famosa citação do crítico John Berger vale para toda a história da cultura ocidental, e nos nossos dias é mais verdadeira do que nunca. (p 76)

             No capítulo a cultura Naomi Wolf explica usando com cenário os Estados Unidos como a cultura de massa, a indústria e a política lucraram com a domesticidade das mulheres com mulheres consumistas tentando suprir suas necessidades e seus vazios através de utensílios domésticos.

         Mas depois da guerra as mulheres tiveram que trabalhar não queriam mais voltar para o espaço do lar. Isso rendeu mudanças nos anúncios publicitários e nas industrias que passaram a ter que focar em um novo método para incentivar as mulheres a consumir e não perder seu publico tão importante.

                O mito da beleza surge para fazer com as mulheres comprem cosméticos, faça dietas para sentires-se bem. As revistas femininas foram grandes colaboradoras nesse novo nicho do mercado, para não perder os anunciantes investiram nessa nova categoria para O mito da beleza, em sua concepção moderna, surgiu para tomar o lugar da Mística Feminina, para salvar as revistas e seus anunciantes das terríveis conseqüências econômicas da revolução feminina.(p 87). A mística feminina não funcionava mais e para evitar o colapso no mercado precisavam criar uma nova ideologia. 

            A influência que as revistas exerce sobre as mulheres é tão eficaz porque segundo Wolf as mulheres ao contrario dos homens carecem de modelos a serem seguidos. Na infância, ainda na escola, os papeis sócias são reafirmados. Ela cita a historia de Prometeus, mas as histórias de princesas das Disney também podem ser bons exemplos: a princesa ingênua e linda que acredita numa senhora suspeita e feia que é a bruxa má, come a maça envenenada oferecida pela bruxa, o príncipe encantado rapaz forte e corajosa dá o beijo de amor, e quebra o encanto e eles se casam. O amor nessas historias dependem quase sempre do homem, a mulher é passiva. A beleza como ressalta Naomi e inerte e não se adéqua a uma heroína. 

As mulheres não passam de "beldades" na cultura masculina para que essa cultura possa continuar sendo masculina. Quando as mulheres na cultura demonstram personalidade, elas não são desejáveis, em contraste com a imagem desejável da ingênua sem malícia. Uma linda heroína é uma espécie de contradição, pois o heroísmo trata da individualidade, é interessante e dinâmico, enquanto a "beleza" é genérica, monótona e inerte. (p 77)

         As revistas têm uma utilidade dicotômica, contradições positivas e negativas, ao mesmo tempo em que ajudam a perpetuar padrões, destoante da realidade, com padrões exigidos pelos anunciantes de produtos de emagrecimento e o padrão exigido pelos homens do corpo “curvilíneo”  são as únicas que dialogam os assuntos femininos de mulher para a mulheres, abordam os temas femininos importantes como aborto, aceitação do corpo, que normalmente não aparecem nos jornais considerados “sérios”. 

A cultura estereotipa as mulheres para que se adequem ao mito nivelando o que é feminino em beleza-sem-inteligência ou inteligência-sem-beleza. É permitido às mulheres uma mente ou um corpo, mas não os dois ao mesmo tempo. (p 77-78)

         “A cultura machista parece se sentir melhor ao imaginar duas mulheres juntas se elas puderem ser definidas como um fracasso e um sucesso de acordo com o mito da beleza” (p 78). Ponto positivo das revistas segundo Naomi seria sua democratização pautando diversos temas de Bolsa de Valores, ficção a reportagens de mulheres de sucesso. 

           Quando a ênfase recai sobre o aspecto de "massa" da sua atração, a importância política das revistas femininas fica ainda mais nítida. Muitos livros e periódicos levaram questões do movimento das mulheres à minoria: mulheres instruídas, da classe média. Mas a nova safra de revistas femininas é a dos primeiros arautos na história a se dirigir à maioria das mulheres, aquelas que estão lutando com problemas financeiros, para lhes dizer que elas têm o direito de se definirem primeiro. (p. 94)

         As garotas crescem cética no poder de uma mulher, a beleza da mulher causa guerra (Troia) ou suas atitudes simbolizam o pecado (Adão e Eva). Sem representações não resta muito paras as mulheres a não serem as revistas. E na medida que ela for crescendo os estereótipos se intensificam. 

A menina aprende que as histórias acontecem a mulheres "lindas", sejam elas interessantes ou não. E, interessantes ou não, as histórias não acontecem a mulheres que não sejam "lindas". Esses primeiros passos na educação da menina sobre o mito a torna suscetível às heroínas da cultura de massa da mulher adulta — as modelos nas revistas femininas. São essas modelos que as mulheres geralmente mencionam primeiro quando pensam no mito. (p 80).

          As mulheres são profundamente afetadas pelo que as suas revistas lhes dizem (ou pelo que acreditam que elas lhes dizem) porque essas publicações são tudo o que a maioria das mulheres tem como acesso à sua própria sensibilidade de massa. 

            A cultura em geral adota um ponto de vista masculino do que é notícia ou não. Por esse motivo, a decisão do campeonato de futebol americano sai na primeira página enquanto uma modificação na legislação sobre creches vem escondida num parágrafo de página interna. Essa mesma cultura também adota um ponto de vista masculino com relação a quem vale a pena ser visto. Dos cinqüenta anos de capas da revista Life, embora muitas mostrassem mulheres, somente 19 delas não eram atrizes nem modelos, ou seja, não estavam ali por sua "beleza" (de fato, em fidelidade ao mito da beleza, no caso de Eleanor Roosevelt, praticamente todos os repórteres fazem referência à sua famosa "feiúra"). Os jornais relegam as questões femininas para a "página das mulheres". 

           A programação de notícias da televisão destina as "reportagens femininas" para o horário diurno. Em comparação, as revistas femininas são os únicos produtos que (ao contrário dos romances) acompanham as mudanças da realidade da mulher, são em sua maioria escritos por mulheres para mulheres sobre temas femininos e levam a sério as preocupações das mulheres (92).

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