segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Resenha: Livro "Ligeiramente fora de foco" biografia fantástica de Robert Capa

Foto: Abeto e Ideias - por Hyasmin Silva

Nesta biografia conhecemos a história de um dos maiores fotógrafos de guerra da história: o húngaro Robert capa. O livro é editado pelo irmão dele, Cornell Capa, pois o fotógrafo morreu no ano de 1954, durante a guerra do Vietnã ao pisar, acidentalmente, numa mina. Seu último registro foi a cores. 
Robert capa cobriu dezenas de guerras.
Capa teve uma vida memorável, e até aventurou-se como escritor e jornalista, seus escritos deu origem a vários textos publicados que registram parte da história. Com um olhar único, Capa capturou segundos e momentos importantes da guerra, através da fotografia.

O que leva um ser humano que não precisa estar na guerra, escolher correr o risco do campo de batalha? Isso ninguém pode responder. Possivelmente, nunca mais existirá alguém como Capa, porque com poucos recursos da época, escolheu cruzar campos de guerra com soldados; pulou de paraquedas sem nunca ter feito antes, só para registrar uma foto no ar. Além de lidar com a falta de segurança num ambiente perigoso, Capa lidava com a burocracia de vistos e passaporte; licença de trabalho jornalístico; cartas e telegramas para enviar as fotos para a redação.

Capa tinha sentimentos. 
Segundo os relatos do livro, era um homem que conseguia fazer amizades. Falava diversas línguas e era amigável, por isso tinha facilidade em formar laços. Porém, seu espirito sensível, tornava difícil fotografar alguns momentos, explorar a dor sem ter empatia ou ver de perto a tragédia sem sofrer, era impossível pra ele. 

Foto: Abeto de Ideias por Hyasmin Silva

Foto: Abeto de Ideias por Hyasmin Silva
Com essa decisão de ser fotógrafo de guerra, Capa viu a morte de perto várias vezes. E com esse amor pela fotografia, logo ficou mundialmente conhecido é aclamado pelas fotos em lugares que quase nenhum outro fotógrafo ousou ir. Tinha paterna admiração pelo seus "companheiros" de guerra, pelos editores de revistas e colegas de trabalho.

Guerras são dolorosas. 
Ao ler o livro, alguns relatos me fizeram sentir comovida e pensar como essas lutas por território e poder, decididas por um pequeno grupo formado por líderes de estados que nunca pisaram num campo de batalha, prejudica uma nação que perde filhos, marido, sobrinhos...todos miseravelmente tão jovens. É tão desnecessário e absurdo, que Capa quis mostrar, através daquelas imagens, as dores e destruição que a guerra deixou na sociedade. 

Foto: Abeto de Ideias por Hyasmin Silva

Foto: Abeto de Ideias por Hyasmin Silva

A narrativa é muito humana. 
Robert Capa deu rosto, humanizando cada um daqueles soldados contanto suas histórias e eternizando pela fotografia momentos casuais durante a guerra que poderiam acontecer em qualquer lugar, como por exemplo um jogo de cartas. Ele conta a história de alguns soldados, nos lembrando que esses homens de guerra são HOMENS e não armas ou corpos que devem morrer pela pátria. Que pátria é essa que gera tantas mortes? Robert Capa da rostos e voz para esses homens comuns.

Não tem nada de bonito na guerra. 
A desesperança chega em Capa, por pouco tempo, mas chega. Segundo ele, a cada dia, mês, ano que passa; a guerra ia ficando cada vez menos fotogênica e repetitiva.

Em meio a conturbada vida de correspondente de guerra, Capa ainda tentava conciliar com uma vida normal, com romances e a perspectiva de um futuro em família, mas a vocação falou mais alto.

Logo na introdução o editor nos alerta que Capa era um contador de história nato e sabia que precisava entreter o leitor para prender sua atenção. Mesmo escrevendo um diário de guerra, com tanto sangue e perdas, Capa se revela um profissional sensível e nos entrega uma história incrível. Alguns registros são melhorados para tornar a história harmônica, mas permitimos a Capa a licença poética.

Foto: Abeto de Ideias por Hyasmin Silva

A cada foto mostrada no livro, percebemos a importância que um fotógrafo peça permissão para tirar uma foto e acompanhe a situação para ter informações sobre aquele episódio que está registrando na imagem que será eterna. 

Imagine se Robert Capa não escrevesse os nomes desses soldados, suas histórias familiares, os últimos momentos, seus hobbies... seriam só gravuras. Vazias de sentimento.

Dessa forma, a gente se comove com a foto e as pessoas nela, se identificando ou não, a emoção de tentar sentir o que a pessoa sentiu naquele momento. Eu acho que toda fotografia profissional tem que ter uma descrição e permissão ou um aviso mesmo que seja uma descrição curta.

Foto: Abeto de Ideias por Hyasmin Silva

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