segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Resenha do filme "Tudo e todas as coisas" (Everything, everything)

Todas as imagens aqui utilizadas são de divulgação
Madeleine (Amandla Stenberg) uma jovem que em 18 anos de sua vida nunca saiu de casa, devido a uma doença imunológica severa. Mora com a mãe, Pauline (Anika Noni Rose), que é médica, numa casa deslumbrante, mega grande, arejada e planejada para se adaptar a doença que ela e a filha lidam a anos.

Um dos pontos positivos do filme é colocar como principal uma familia pequena, chefiada por uma mulher. Poucos filmes que tratam de crianças doentes e ricas são sempre com atores brancos e esse filme nos mostra de forma natural uma mãe solteira, negra, ricaça, médica, cuidando da filha doente. 



A protagonista Madeleine passa boa parte do seus dias olhando a janela, nessas de olhar para todas as coisas pela janela, avista seu novo vizinho, um jovem que tem uma família complicada, que veste quase sempre preto, o Olly (Nick Robinso), que de imediato se apaixona pela protagonista,  que sempre usa branco. 

Achei essa contraponto das roupas preto e branco uma menção ao yin yang, que é um conceito chinês que representa a dualidade, feminino e masculino, o principio gerador de todas as coisas do universo (daí a explicação para o nome do filme) tudo para alcançar o  equilíbrio e a harmonia. Que é isso que passamos a vida buscando, independente da idade.




A cena mais legal, no meu ponto de vista, é na sala projetada para Madeleine ver  o mundo pelas paredes de vidros, essa sala parece ter saído da pastas de decoração do pinterest.



No diálogo nessa sala Olly chama Madeleine de princesa e ela responde "Eu não sou uma princesa" e Olly diz a ela que também não é um Príncipe. Apesar do filme ser uma história de amor e quase inteiramente ser baseado num ponto de vista ultra romântico, desconstrói a ideia de conto de fadas.

Depois de um tempo após contato com o Olly, Madeleine passa a usar duas outras cores de roupa: o azul e o amarelo, que estão muito presentes nas cores usadas na cenografia.  É muito interessante o recurso de mostrar na tela as mensagens que o jovem casal troca no celular, os recursos gráficos explicativos, e os cenários para mostrar a imaginação de Madeleine, porém não é original.

Além de ser uma família negra, Madeleine e Olly serem um casal interracial, temos a enfermeira Carla (Ana de la Reguera) que é imigrante e sua filha amiga de Madeleine,  a Rosa (Danube Hermosillo) que irá fazer faculdade em Michigan. Isso é incrível, pois como disse acima é introduzido no filme a representatividade sem ser apresentado como tal. E a julgar pelos movimentos de direita dos Estados Unidos tomando força, um filme com essa roupagem é espetacular. 





Por estar cercada por duas mulheres fortes, a sua mãe e a enfermeira, Madeleine acaba crescendo uma mulher de atitude. Por isso tudo na vida dela muda quando ela toma uma decisão dramática e descobre muitas coisas, e seu ato de coragem muda a vida dos que estão em sua volta também. 

O filme é ótimo, assistiria de novo. No entanto decepciona, pois foge do drama com final triste (desculpa, eu esperava um momento dramático para chorar rsrs). O final é feliz e cheio de reviravoltas e vai em outra direção diferente da de filmes como "Um amor para recordar", "Cartas para Deus", "A culpa é das estrelas", "Ocean Heaven" entre outros. 

O filme (2017) é americano escrito por J. Mills Goodloe e dirigido pela Diretora Stella Meghie. 



Curiosidade: Amanda Stenberg, a protagonista do filme, na vida real é muito inteligente e ligada com movimentos sociais que defendem a cultura negra, sua importancia é muito grande leia aqui a matéria sobre ela na vogue teen. Em 2015, ela fez um vídeo falando sobre apropriação cultural que causou muito rebuliço na internet. Óbvio, a maioria ficou contra ela, pois grande parte das pessoas não sabem o que este termo significa. Leia a história aqui



Nota: 8,0



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